O escolhido

Uma vez me fizeram uma pergunta muito simples: Ana, qual é o seu prédio preferido?

O que me espantou, foi o constrangedor silencio que pairou no ar, uma vez que nenhuma frase decente conseguiu sair da minha boca.

Como assim?? Como não escolhi ainda o meu edifício preferido??A verdade é que, espantosamente, talvez eu nunca tenha dedicado muito tutano ao assunto.

Pois hoje, em busca randômica na www, vi este projeto, e tive a minha epifania: claro que é esse meu edifício preferido!

Tudo nele me emociona: a luz, seus revestimentos brutalistas, que, como muitos da minha geração, sempre fui fã, a perfeita linguagem entre exterior e interior, as banquetas pretas, que como todo o resto do mobiliário, conversa perfeitamente com o ambiente.

Enfim, pronto, tá escolhido.

Não diria que Toyo Ito, o autor do projeto, é meu arquiteto preferido, porque como conjunto da obra, acho que colocaria outros na frente dele. Mas isso é assunto para outro post....


Tama Art University Library by Toyo Ito 




Alejandro Aravena para a favela de Paraisópolis



Já falei do Alejandro Aravena aqui e aqui no Suco de Tangerina. Ok, babo mesmo no trabalho dele.
Tudo começou quando descobri o projeto Elemental, sua solução básica-porém-inteligente de fazer habitação de baixa renda, sem obrigar as pessoas a morarem em protótipos de lego. Sério porque o Cingapura é 9,5 na escala Richter de vergonha alheia. Poucas coisas nessa cidade caótica são tão de mau gosto quanto aquilo. (ok, parei)
"É melhor fazer meia casa boa, do que 1 casa ruim", segundo o Aravena.  Ai ai, isso já diz tudo!
Essa semana foram divulgas as primeiras imagens do seu projeto para a favela de Paraisópolis, e o primeiro do Elemental aqui no Brasil.
Abaixo, texto extraído do Arqbacana sobre o projeto:


Ainda em fase de desenvolvimento, o projeto habitacional de Alejandro Aravena para a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, é o primeiro feito pelo arq chileno no Brasil. Com 40 m² de área, os apartamentos podem ser expandidos pelas famílias, que devem seguir o projeto do escritório de arquitetura chefiado por Aravena: o Elemental. As obras estão previstas para começar em agosto deste ano.


Em entrevista concedida ao repórter Mario César Carvalho para o jornal Folha de S. Paulo, publicada na segunda-feira, dia 19 de julho, Aravena conta que privilegiou a “qualidade da moradia”. Segundo ele, “a política previa 40 m² para sala, cozinha, banheiro e dois dormitórios. Tudo ruim. Foi aí que surgiu a ideia central do Elemental: é melhor fazer meia casa boa do que uma casa ruim. Mas se você olha 40 m2 como metade de uma casa boa, a pergunta é: que metade fazemos? A resposta foi: a metade que uma família nunca vai fazer bem”, disse o arquiteto à Folha.

De acordo com Aravena, esta parte - que deverá ser custeada pelo Estado - corresponde ao banheiro, a cozinha e a estrutura. “É preciso levar o DNA da classe média para a favela, para que a habitação se transforme em investimento e deixe de ser gasto social”, acrescenta o chileno.


Essa ideia, aliás, já havia sido aplicada por Aravena no conjunto habitacional Quinta Monroy, em Iquique, no Chile, onde os apartamentos de 36m² podem ser ampliados pelos próprios moradores para 70m².


Para Aravena, o programa governamental “Minha Casa, Minha Vida” deixa a desejar quando não aproveita a capacidade das famílias para construir parte dos imóveis por conta própria.


Formado pela Universidade Católica do Chile em 1992, Alejandro Aravena ganhou o Leão de Prata na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2008. Em 2004, foi eleito pela revista norte-americana “Architectural Record” um dos dez profissionais com maior projeção na vanguarda arquitetônica. É autor de projetos como um edifício para o Campus da Vitra, na Alemanha; a Escola de Medicina e as Torres Siamesas, no Chile.

 





Leia a entrevista concedida a Folha de São Paulo 

Every move you make

Ando encantada ultimamente com um tipo de arte e arquitetura muito interessante: a arquitetura e arte cinéticas.


"A arte cinética, também conhecida como Cinetismo, é uma corrente das artes plásticas que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos ou ilusão de ótica ou truques de posicionamento de peças."


Sempre fui curiosa sobre o assunto, desde que vi pela primeira vez as esculturas malucas do artista Theo Jansen. Fiquei realmente intrigada com estruturas complexas que se movimentam como se estivessem vivas!


No caso da arquitetura, é muito bacana assistir à estruras pesadas e estáticas, se movimentando de forma delicada, quase como um passo de dança.


Este filme é sobre o trabalho de Teo Jansen


Este também sobre Teo Jansen



Ned Kahn para o aeroporto de Brisbane


Storefront for Architecture and Art


David Fisher em Dubai

Um olhar atento


Minha mais nova obsessão são as fotos e vídeos de arquitetura do Pedro Kok.
Lendo meus feeds de vídeos do Dezeen, assisti à produção sobre o Rolex Center, do Sanaa, e foi amor a segunda vista! Porque já havia visto algum outro vídeo sobre a casa Santa Cruz, do Warchavchik, que por algum motivo não havia me chamado tanto a atenção.
Mas foi pesquisando seu canal no Vimeo que me perdi de vez em vídeos de arquitetura que, na verdade, são fotografias em frames com movimentos sutis, calculados meticulosamente para passar uma sensação leve de fotografia com vida própria.
Seu site não traz muitas informações sobre o próprio autor, mas pesquisando no Google descobri que ele se formou em 2009. Ou seja, podemos estar falando de apenas um pequeno garoto!
Vale a pena prestar atenção no que esse prodígio ainda vai fazer por aí.

Acesse seu site aqui.





Pau que nasce torto...

...nuca se indireita? Nunca?

Lou Ruvo Center for Brain Health in Las Vegas by Frank Gehry



I don’t think I’ve ever said “I want to go to there” about a hospital, so I think this is a first. Check out these great photos courtesy of World Architecture News (WAN) of Frank Gehry’s newest project, the Cleveland Clinic Lou Ruvo Center for Brain Health. My brain sure is healthy enough to know that this is an incredible building. The building officially opened on Friday.
The building is made up of two wings joined with a courtyard: the dramatic steel wing being the Life Activity Center and the simpler, subtle four-story clinic section where patient rooms and research space is located. The Life Activity Wing looks like someone took a steel building and crumpled it up in their hand like a piece of paper.




According to WAN, Gehry decided to design the building because he, like founder Larry Ruvo, has been affected by degenerative brain diseases. Ruvo’s father had Alzheimer’s and Gehry’s analyst’s wife had Huntington’s disease. Therefore, this building is like a tribute to those they lost, and also a beacon of hope for finding treatments or cures for these unfortunate ailments.

Via DesignMilk

E no 7° dia fez-se...

A Expo Shangai 2010 reuniu alguns dos projetos mais ousados da arquitetura contemporânea. E alguns dos mais medíocres também.
Desde que saíram as imagens do Pavilhão do Reino Unido, não consegui mais pensar em outra coisa. Como é possível um negócio desse!!?? Coisa do demo, só pode ser!
Esse projeto me traz sensações diversas... a mais forte é "just can´t look away".
Enfim, o grande cérebro escabroso por traz desta obra chama-se Thomas Heatherwick. A descrição inicial de seu site já diz "Heatherwick Studio exists to make extraordinary projects happen". E passeando pelo site, cheguei a mesma conclusão.
O estúdio existe desde 1994, porém só agora com este extraordinário projeto do Pavilhão, conseguiu comprar sua entrada no mainstream da arquitetura inglesa.
Abaixo, algumas imagens retiradas de seu site. Para conhecer mais sobre sua história, acesse aqui.

Clique aqui também para ver um panorama feito pelo site UOL sobre os projetos da Expo Shangai 2010.



A cereja do bolo

Via Archdaily







O projeto não tem nada demais. Caixinhas.
Mas um detalhe singelo como esquadrias recortadas, fizeram toda a diferença.
Para mostrar que a boa arquitetura não tem nada a ver com materiais caríssimos e projetos mirabolantes.
Desenhos simples na mão de quem sabe o que faz, se transformam em obras de arte.




Bom senso é relativo...

Bom, já é sabido que gosto não se discute.
A arquitetura deveria seguir uma equação cartesiana de forma+função, mas também já é sabido que as coisas não funcionam muito bem dessa maneira (infelizmente).
Bom, então teríamos que chegar numa equação relacionada a bom senso, porém, inevitavelmente, tudo que está relacionado à estética, está sujeito ao olhar crítico do observador, que vem recheado de referências da própria pessoa, de memórias e lembranças que são construídas durante uma vida.
Daí a conclusão que cada um encherga as coisas de maneira diferente. Yeesss
Lições de matemática a parte, vi esta lista na www com 80 projetos "strange and fantastic". ( a lista veio daqui)
Entre bizarrices de mau gosto e exibicionistas, estão alguns clássicos da arquitetura como o Museo de Arte Contemporânea de Niterói, catedral de Brasília (é... Nini está em baixa!), a Nakagin Tower do Kisho Kurokawa (clássico do metabolismo), o ninho do Herzog...
Enfim, achei a seleção interessante porque mostra um panorama da produção arquitetônica mundial (claro que tem muitaaa coisa deixada de fora, mas entrem no espírito, galera)
Enjoy!


Arquitetura por um mundo melhor

Sendo uma falsa integrante do mercado imobiliário, afundada em conceito vazios e em uma arquitetura que tenta vender azeitona sem caroço a preço de caviar, me emociono com manifestações arquitetônicas e artísticas simples, que buscam o bem estar, que buscam o melhor.
Essa história do Haiti pegou fundo no coração de todos... Ainda mais pra quem tem uma noção real do que representa reconstruir uma cidade do zero.

A MSF está instalando 100 camas neste hospital inflável, em Porto-Príncipe para atender temporariamente as vítimas do terremoto.

É a arquitetura por um mundo melhor.




Como vender um projeto

Já vi no mínimo uns 4 iguais a este.
Mas isso não vem ao caso, até porque o projeto merece seus créditos, tanto pela volumetria, que eu gosto, quanto pela belíssima escultura de Anish Kapoor, que já expôs em São Paulo em 2007.
Babem no vídeo abaixo, do projeto 57 Leonard Street, da dupla Herzog & De Meuron.
É assim que se vende um projeto!


Frank Lloyd Wright + Lego

Via Designboom

A Fundação Frank Lloyd Wright, juntamente com a Lego, lançaram recentemente a coleção Frank Lloyd Wright de estruturas arquitetônicas em Lego, coincidindo com a exposição 'from within outward', no Museo Guggenheim. A linha consiste em 6 projetos, incluindo suas duas obras mais famosas e reconhecidas, o Guggenheim e a, sempre mencionada mas nunca enjoada, Fallingwater.




Nhaaaaaac!


Arquitetonicamente falando, este projeto para a novo laboratorio da Nestlé em Querétaro, no México não tem nada de especial.
A famosa fórmula da caixinha, que não tem erro.
Porém, conceitualmente falando, achei a idéia do escritório Rojkind Arquitectos muito bacana: repararam que as estruturas destacadas em amarelo dão a alusão de pequenas mordidas, como um tablete de chocolate meticulosamente despedaçado por uma criança faminta?!
Li o texto com mais informações sobre o projeto, mas achei muito fraco para publicar. Uma pena.
Mostra como é importante um bom texto por trás de um bom projeto.
Quem quiser saber mais, clique aqui.










Mamãe, quero ser gente grande

Quando se trabalha dentro do mercado imobiliário, a conexão com a arquitetura comercial acaba ficando maior e passamos a entender quem compra o que, por quais motivos e o que o consumidor final procura em um imóvel.
E é impressionante como um certo tipo de imóvel está fora de moda: apartamentos para solteiros.
Aqueles com 1 quarto, cozinha integrada, 1 banheiro, 1 sala e ponto. Sem babaquices no térreo como piscina, espaço da mulher, espaço gourmet (incrível como esse termo me irrita), salão de festas, etc etc etc.
Solteiro que é solteiro fica pouco em casa, não usa nada disso e muito provavelmente tem pouca verba para gastar com contas de condomínio exorbitantes.
Cada dia mais penso que meu terrível destino será alguma quitinete no Copan.
Bem, faz algum tempo que vi esse projeto do escritório GrupoSP, que aliás tem um conceito e uma iniciativa bem bacanas: é aberto para a participação de arquitetos comprometidos com uma arquitetura responsável.
Chama-se edifício Simpatia. A planta é uma delícia, toda aberta, com 3 tipologias diferentes, e a localização não poderia ser melhor: Rua Harmonia, no coração da nossa tão queria Vila Madalena (quer coisa melhor para um solteiro!!??)
A fachada é super interessante, atual mas sem cair no modismos do neo-contemporâneo (aarrrggghhh).
Enfim, um projeto que acendeu uma luz no fim do túnel e movimentou um pouco o cenário dos edifícios residenciais, sempre tããão sem graça (quando não são aqueles porcarias neo-clássicas).

Acesse Simpatia 236


Elevação Fontal








Inaugura hoje a Escola da Música de Christian de Portzamparc

Atualizando: a obra não foi inaugurada. Os bombeiros disseram que está inacabada e incapacitada de receber visitantes. Vamos esperar o fim da novela!


Não muito diferente da zunzunzun todo que aconteceu em relação ao projeto da nova Cia de Dança de Herzog & De Meuron em São Paulo, o projeto da Escola da Musica de Christian de Portzanparc no Rio de Janeiro também deu o que falar.
Orçamento de R$600.000.000,000, estrangeiros projetando no Brasil, notório saber e blá blá blá.
Ainda que tenha dado bem menos repercussão que o H&DM em São Paulo (coitadinho do Christian, só porque ele não projetou um estádio que parece um ninho), a verdade é que imprensa arquitetônica brasileira deve andar muito sem assunto.
Enfim, tive a oportunidade de passar pela obra em meados de Setembro e gostei do projeto. Os pilares imponentes chamam a atenção e, na minha opinião, o arquiteto francês deixou sua marca: simplicidade que impressiona.
O projeto ainda não está pronto, mas vai ser inaugurado mesmo assim hoje no Rio, contrariando Christian, com hino nacional sendo tocado pela Orquestra Sinfônica Brasileira e toda "mágica pertinente" que todo mundo adora.

Abaixo um vídeo da obra, que apesar de institucional, dá pra dar um feeling do projeto.


Pixel by pixel



The Rundle Lantern é um estacionamento que fica em Adelaide, na Austrália.
Ao invés das horrorosas empenas de concreto, comuns neste tipo de construção, o que vemos são 748 painéis, cada um com 2 LEDs, que criam este efeito de imagem pixelada.
But no propaganda! O projeto do escritório americano Fuse serve só para agregar valor cultural ao local e a cidade.
Solução simples, low cost e inteligente. É a forma além da função.

Clique aqui para mais imagens da construção dos painéis.