Alô, mamãe, vim para ficar!

Tá bom, não deve ser exatamente o m² mais caro do mundo. Estou super corrida para fazer uma pesquisa na internet sobre os reais m²s mais caros do mundo, então vamos levar em consideração que este é um texto apoiado no que eu mesma penso.

Não sei se todos já ouviram falar do projeto Max Haus. Bom o conceito é tão simples que parece até óbvio: plantas que giram em torno de 70m², localizados em bairros bacaninhas, com revestimentos considerados bacaninhas, como concreto aparente, e que são baseados na Arquitetura Aberta™ (sim, eles registraram este termo), ou seja, você fica livre para colocar as paredes onde bem entende.

Bom, aí você pensa que, hipotéticamente, deve ser um espaço bem bacanamente baratinho, já que eles não gastam com revestimentos, não gastam tutano pensando na melhor forma de fazer encaixar o quarto da empregada sem que ela tenha que pular a máquina de lavar para chegar nele, e que se tratam de espaços relativamente pequenos.

Ah my friend, mas e aí que você se engana.

Peguemos como exemplo a unidade recém inaugurada na Berrini.





Um apartamento de 70m² custa R$ 600.000,00.Dá para acreditar? Dividindo este preço pela metragem, temos como resultado a modesta quantia de R$ 8.571,50 por metro quadrado.







Claro, se você quiser pode comprar um Max Haus na Cidade Dutra pela bagatela de R$ 220.000,00. Ou então se quiser ser mais bacana que a ralé do Brooklin, pode adquirir seu exclusivo Max House Itaim pela modesta quantia de R$ 800.000,00. R$ 8000.000,00!!!!!!!! ( o que dá R$ 11.428,50 pelo espaço demarcado acima).

O mais, digamos, curioso, é que o conceito tem uma linguagem totalmente jovem, dexxxcolada, moderninha.

Mas me diga: que jovem, brasileiro, proletário, no auge dos seus 30 anos tem alguma condição de embarcar em um financiamento desses? Eu, arquiteta, antes dos 50 e poucos não consigo adquirir meu próprio Max Haus. O que vai me tornar uma pessoa totalmente obsoleto, tãããão 2009. E agora?!!

Eu já andava bem inconformada com a Idea Zarvos, outra que lança apartamento de jovem com preço de tiozão, mas agora acho que o mercado imobiliário perdeu totalmente a referência.


E eu continuo morando com a minha mãe.

Mamãe, quero ser gente grande

Quando se trabalha dentro do mercado imobiliário, a conexão com a arquitetura comercial acaba ficando maior e passamos a entender quem compra o que, por quais motivos e o que o consumidor final procura em um imóvel.
E é impressionante como um certo tipo de imóvel está fora de moda: apartamentos para solteiros.
Aqueles com 1 quarto, cozinha integrada, 1 banheiro, 1 sala e ponto. Sem babaquices no térreo como piscina, espaço da mulher, espaço gourmet (incrível como esse termo me irrita), salão de festas, etc etc etc.
Solteiro que é solteiro fica pouco em casa, não usa nada disso e muito provavelmente tem pouca verba para gastar com contas de condomínio exorbitantes.
Cada dia mais penso que meu terrível destino será alguma quitinete no Copan.
Bem, faz algum tempo que vi esse projeto do escritório GrupoSP, que aliás tem um conceito e uma iniciativa bem bacanas: é aberto para a participação de arquitetos comprometidos com uma arquitetura responsável.
Chama-se edifício Simpatia. A planta é uma delícia, toda aberta, com 3 tipologias diferentes, e a localização não poderia ser melhor: Rua Harmonia, no coração da nossa tão queria Vila Madalena (quer coisa melhor para um solteiro!!??)
A fachada é super interessante, atual mas sem cair no modismos do neo-contemporâneo (aarrrggghhh).
Enfim, um projeto que acendeu uma luz no fim do túnel e movimentou um pouco o cenário dos edifícios residenciais, sempre tããão sem graça (quando não são aqueles porcarias neo-clássicas).

Acesse Simpatia 236


Elevação Fontal








"Alô, por favor, um apartamento descolado"


Podemos dizer que a Axpe se destaca entre as empresas imobiliárias, porque escolheu um nicho diferenciado para atuar.
Focada na galera trendsetter, ávida por novidades, o site já começa descrevendo a empresa como uma "empresa-boutique", e separa seus imóveis em 3 categorias principais: Vintage, Vistas Especiais e Descolados. DESCOLADOS!!!
O que seria um apartamento descolado? Perto da Vila Madalena? Vãos grandes, cozinha integrada? Projetado por escritórios modinha?
Fiquei confusa, apesar de ter achado a idéia bacana.
Também é possível selecionar seu imóvel nas categorias Arquitetura de Autor, Jardins Especiais e Algo de Especial.
Formada por publicitários que buscavam algo diferente, a Axpe conseguiu entrar em um mercado tão saturado, oferendo imóveis únicos para quem busca arquitetura de qualidade. E claro, pode pagar por isso já que a faixa de preço para aluguel no site parte de R$ 2.500,00.
Thinking outside the box!

Acesse Axpe.

Incoerência arquitetônica existencial

Li um post hoje no blog do Alencastro que me fez pensar...
Já confabulamos muito sobre isso nos corredores do escritório onde trabalho.
A velha discussão entre jovens X experientes. Os jovens sentem dificuldade para ingressar no mercado de trabalho, precisam de nome, precisam de network. Não muito diferente do processo que acontece nas outras profissões.
Aí o que buscamos: os concursos! Pena que muitas vezes com preços abusivos de inscrição, o que já quebra as pernas de muita gente.
Por outro lado já ouvi que os concursos são plataformas e artifícios usados pelos menos experientes para ganhar o, já mencionado acima, nome no mercado, e por isso perdem credibilidade entre os que tem mais estrada no currículo.
Em uma mão temos os recém formados que não foram ainda engolidos pelo mercado imobiliário e assim conseguem ser mais ousados, mais conceituais, só que menos realistas. Na outra mão temos os arquitetos com 20 anos de prancheta que nos derrubam quanto a experiência de obra.
Sempre achei absurdo arquiteto abrir escritório próprio com menos de 10 anos de profissão. Para encarar um projeto com total excelência, é preciso ter passado por muito executivo de CAD para saber exatamente o que é plausível na área da construção.
Mas o que é plausível acaba sendo menos criativo?
Será que só eu passo por essa incoerência arquitetônica existencial?

Frozen Skyline




O jornal inglês Guardian publicou uma reportagem bem interessante sobre a crise no setor imobiliário.
No texto, aparecem depoimentos de figuras importantes no cenário da arquitetura, como Zaha Hadid, o presidente do Royal Institute of British Architects, entre outros.
Vale a pena conferir como outros países estão sentindo este momento particular, e como estão se ajustando aos novos modelos de mercado.

Para ler a reportagem, clique aqui.